Kung Fu
Kung Fu
Tradição marcial, disciplina e cultivo integral do ser
Se o Tai Chi Chuan está mais diretamente ligado à filosofia taoísta, o Kung Fu relaciona-se, historicamente, de forma profunda com o Budismo.
Foi em um dos grandes centros de difusão do Budismo que floresceu o Kung Fu historicamente mais conhecido: o do Templo Shaolin.
Da união entre a disciplina ascética dos monges de Shaolin e o contexto histórico de conflitos constantes na formação do Estado chinês, surgiu uma prática marcial singular, profunda e transformadora.
“Vencer-se fisicamente, dominar-se mentalmente, evoluir espiritualmente.”
Essas três máximas, colocadas em prática ao longo dos séculos, fortaleceram os domínios corporal, mental e espiritual de milhares de praticantes.
Origem Histórica
Em 1734, com a destruição do Templo Shaolin, cinco monges de alta hierarquia, detentores dos aspectos mais profundos da arte marcial ali desenvolvida, conseguiram fugir.
A partir desse momento, as técnicas de Shaolin passaram a se difundir por toda a China e, posteriormente, pelo mundo, preservadas por linhagens tradicionais.
Estilo Hung Gar
O Hung Gar é um estilo singular dentro do universo do Kung Fu, pois incorpora, de forma estruturada, técnicas próprias de Qi Gong. À medida que o estilo se sistematizou, tornou-se progressivamente mais interno.
Entre os mais de 500 estilos de Kung Fu existentes, o Hung Gar destaca-se por integrar práticas de meditação, respiração e mantras, desenvolvendo um domínio energético normalmente presente apenas nos estilos internos, como Tai Chi Chuan, Xing Yi, Ba Gua e I Quan.
Sua origem remonta à elaboração das técnicas budistas no Templo Shaolin. Uma de suas práticas mais tradicionais é o “Domar o Tigre” (Gon Gi Foo Fu), trazida no século XVIII pelo monge Gee Seen e ensinada a Hung Hee Kung, patriarca do estilo.
No século XIX, o lendário Wong Fei Hung sistematizou diversas técnicas, incorporando ao estilo a forma “Linha de Ferro” (Ti Sin Kune), aprendida com o monge Ti Kiu San, considerada a prática mais interna do Hung Gar, de intensa elaboração energética e grande exigência mental e física.
O Hung Gar no Centro Cultural Tao
Herdeiro dessa tradição, já no século XXI, o Mestre Adriano d’Avila desenvolve um caminho didático para que o praticante alcance o domínio dessas técnicas tradicionais preservadas há séculos.
Desde as primeiras aulas, os praticantes aprendem técnicas de Qi Gong e o desenvolvimento do Hoy Sao, fortalecendo o corpo físico e mental como base para a compreensão profunda do estilo.
O Hung Gar é estruturado em cinco arquétipos animais: tigre, leopardo, serpente, garça e dragão. Cada um representa qualidades físicas, emocionais e energéticas, refletindo aspectos da natureza humana que se manifestam em nossas atitudes.
Armas, Emoção e Autoconhecimento
O uso de armas no Hung Gar é compreendido como extensão do próprio ser. O aprendizado do facão chinês ou do bastão representa um desafio de expansão energética, consciência corporal e presença.
A aplicação marcial de cada movimento deve ser entendida como amadurecimento emocional. Treinar é confrontar emoções como medo, raiva, tristeza, alegria e preocupação, tornando-as visíveis, conscientes e transformáveis.
Acima de tudo, oferecemos ao praticante a oportunidade de aprender um estilo tradicional de Kung Fu, promovendo um aprendizado contínuo sobre si mesmo e sobre a própria vida.
Juramento
“Eu me comprometo a treinar meu corpo e espírito para a paz,
respeitando mestre, professores e colegas,
sendo um exemplo vivo do espírito Hung Gar,
defendendo em meu caminho a verdade e a justiça.”
Katy Hoy Mah
“Antes de aprender a caminhar, aprenda a ficar de pé.”
O treinamento de pernas é, nas artes marciais chinesas, fundamental para a eficiência de qualquer estilo. Associado à maturidade emocional, permite vivenciar o princípio taoísta do Yin e Yang de forma prática, energética e real.
É proposta do Centro Cultural Tao qualificar cada conhecimento transmitido ao aluno ou discípulo, especialmente aqueles que marcam o início da jornada nas artes corporais chinesas.
Caso deseje mais informações, esclarecer dúvidas ou compreender melhor o caminho de prática, o contato é feito diretamente com o Mestre.
O diálogo faz parte da tradição e permite que cada interessado seja orientado de forma consciente e adequada.