Centro Cultural Tao

Kung Fu

20/09/2016 Aulas Regulares

Kung Fu

Tradição marcial, disciplina e cultivo integral do ser


Se o Tai Chi Chuan está mais diretamente ligado à filosofia taoísta, o Kung Fu relaciona-se, historicamente, de forma profunda com o Budismo.

Foi em um dos grandes centros de difusão do Budismo que floresceu o Kung Fu historicamente mais conhecido: o do Templo Shaolin.

Da união entre a disciplina ascética dos monges de Shaolin e o contexto histórico de conflitos constantes na formação do Estado chinês, surgiu uma prática marcial singular, profunda e transformadora.

“Vencer-se fisicamente, dominar-se mentalmente, evoluir espiritualmente.”

Essas três máximas, colocadas em prática ao longo dos séculos, fortaleceram os domínios corporal, mental e espiritual de milhares de praticantes.

Origem Histórica

Em 1734, com a destruição do Templo Shaolin, cinco monges de alta hierarquia, detentores dos aspectos mais profundos da arte marcial ali desenvolvida, conseguiram fugir.

A partir desse momento, as técnicas de Shaolin passaram a se difundir por toda a China e, posteriormente, pelo mundo, preservadas por linhagens tradicionais.

Estilo Hung Gar

O Hung Gar é um estilo singular dentro do universo do Kung Fu, pois incorpora, de forma estruturada, técnicas próprias de Qi Gong. À medida que o estilo se sistematizou, tornou-se progressivamente mais interno.

Entre os mais de 500 estilos de Kung Fu existentes, o Hung Gar destaca-se por integrar práticas de meditação, respiração e mantras, desenvolvendo um domínio energético normalmente presente apenas nos estilos internos, como Tai Chi Chuan, Xing Yi, Ba Gua e I Quan.

Sua origem remonta à elaboração das técnicas budistas no Templo Shaolin. Uma de suas práticas mais tradicionais é o “Domar o Tigre” (Gon Gi Foo Fu), trazida no século XVIII pelo monge Gee Seen e ensinada a Hung Hee Kung, patriarca do estilo.

No século XIX, o lendário Wong Fei Hung sistematizou diversas técnicas, incorporando ao estilo a forma “Linha de Ferro” (Ti Sin Kune), aprendida com o monge Ti Kiu San, considerada a prática mais interna do Hung Gar, de intensa elaboração energética e grande exigência mental e física.

O Hung Gar no Centro Cultural Tao

Herdeiro dessa tradição, já no século XXI, o Mestre Adriano d’Avila desenvolve um caminho didático para que o praticante alcance o domínio dessas técnicas tradicionais preservadas há séculos.

Desde as primeiras aulas, os praticantes aprendem técnicas de Qi Gong e o desenvolvimento do Hoy Sao, fortalecendo o corpo físico e mental como base para a compreensão profunda do estilo.

O Hung Gar é estruturado em cinco arquétipos animais: tigre, leopardo, serpente, garça e dragão. Cada um representa qualidades físicas, emocionais e energéticas, refletindo aspectos da natureza humana que se manifestam em nossas atitudes.

Armas, Emoção e Autoconhecimento

O uso de armas no Hung Gar é compreendido como extensão do próprio ser. O aprendizado do facão chinês ou do bastão representa um desafio de expansão energética, consciência corporal e presença.

A aplicação marcial de cada movimento deve ser entendida como amadurecimento emocional. Treinar é confrontar emoções como medo, raiva, tristeza, alegria e preocupação, tornando-as visíveis, conscientes e transformáveis.

Acima de tudo, oferecemos ao praticante a oportunidade de aprender um estilo tradicional de Kung Fu, promovendo um aprendizado contínuo sobre si mesmo e sobre a própria vida.

Juramento

“Eu me comprometo a treinar meu corpo e espírito para a paz,
respeitando mestre, professores e colegas,
sendo um exemplo vivo do espírito Hung Gar,
defendendo em meu caminho a verdade e a justiça.”

Katy Hoy Mah

“Antes de aprender a caminhar, aprenda a ficar de pé.”

O treinamento de pernas é, nas artes marciais chinesas, fundamental para a eficiência de qualquer estilo. Associado à maturidade emocional, permite vivenciar o princípio taoísta do Yin e Yang de forma prática, energética e real.

É proposta do Centro Cultural Tao qualificar cada conhecimento transmitido ao aluno ou discípulo, especialmente aqueles que marcam o início da jornada nas artes corporais chinesas.

Caso deseje mais informações, esclarecer dúvidas ou compreender melhor o caminho de prática, o contato é feito diretamente com o Mestre.

O diálogo faz parte da tradição e permite que cada interessado seja orientado de forma consciente e adequada.

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